CARL GUSTAV JUNG
– BIOGRAFIA
Carl Gustav
Jung, renomado psiquiatra, autor da Psicologia Analítica, foi um dos maiores
estudiosos da vida interior do homem.
Ele nos afirma que toda a sua obra, é
apenas a formulação científica, em linguagem moderna, de sua experiência das
realidades da alma. “A minha vida é a história de um inconsciente que se
realizou” (JUNG, 1963, p. 19), assim
descreve sua vida, escrevendo, aos 83 anos a sua auto-biografia,
discorrendo o relato de sonhos, visões,
intuições e experiências profundas que contribuíram como alicerce na construção
da Psicologia Junguiana.
As experiências e emoções de Jung
estão descritas no seu livro "Memórias, Sonhos e
Reflexões", escrito ao final da formulação de toda a sua obra, e nele
demonstra o quanto a sua vida foi a experimentação do que teorizou, o quanto a
sua obra é o resultado de sua vida. Nele, testemunhamos as diversas
experiências de sonhos marcantes, visão de imagens mitológicas e espirituais,
manifestações parapsicológicas e toda a trajetória na construção da sua rica
obra.
Assim, segue o relato de alguns fatos
marcantes, ao longo da sua vida, no intuito de ilustrar a dinâmica de vida de
Jung e do processo de elaboração da sua obra, baseando-se nas seguintes fontes
literárias: “Memórias, Sonhos e reflexões”, do próprio Jung e “CG Jung, vida e
Obra”, de Nise da Silveira.
A INFÂNCIA:
Carl Gustav Jung nasceu a 26
de julho de 1875, em Kesswil, aldeia pertencente ao cantão da Turgóvia, na Suíça.
Aos quatro anos, seu pai, Paul Achilles Jung, foi transferido para Klein Huningen,
para exercer suas funções de pastor protestante, nos arredores de Basiléia. E
ali, Jung fez todos os seus estudos, inclusive o curso médico. Esta cidade era,
na época, um dos mais importantes centros culturais da Europa. Basta lembrar
que Nietzsche deu cursos memoráveis na Universidade de Basiléia no período
1869-1879.
Em
seu livro de memórias, Jung não esconde as restrições que fazia ao pai. Jung
sofreu com o que ele considerava a estagnação de seu pai: Percebia que nele
faltaram forças para seguir seu destino e o via preso a dogmas e apegado a uma
fé que na verdade não o convencia. Sentia-se muito mais afim com sua mãe.
Com ela,
Emilie Jung (filha de pastor da Basiléia), ele mantinha um melhor
relacionamento, embora observasse que ela tinha duas personalidades: uma
simples e maternal, que exigia do filho boas maneiras e fazia-1he recomendações
impertinentes sobre o modo de usar o lenço ou coisas semelhantes. E outra, autoritária
e misteriosa, que lhe dava medo.
Sua infância foi marcada pelas dificuldades
conjugais de seus pais e viveu desde a infância experiências misteriosas e
angustiantes: à noite, sofria de visões. Do quarto de sua mãe ele percebia a
presença de estranhas energias. Ele tinha experiências surpreendentes e
misteriosas que, sem que se desse conta, lentamente o conduziam para a sua
missão de estudioso da alma. Perguntava-se constantemente, numa freqüência
incomum para uma criança, quem era Deus e o Senhor Jesus.
Inúmeros acontecimentos, durante a
sua infância, contribuíram para um constante questionamento ainda precoce
acerca do ser e da religiosidade, dentre elas, um sonho (JUNG, 1963, p. 25) ocorrido quando tinha
entre três e quatro anos de idade que marcou toda a sua vida e lhe preocupou
por muitos anos, sem compartilhar com ninguém: Uma forma estranha e gigantesca
emergia de um quarto subterrâneo, em cima de um trono de ouro, carne viva, sua
parte superior terminava numa espécie de cabeça cônica e arredondada sem rosto,
nem cabelos. No topo, um olho único, imóvel, fitava o alto. Esse ser inumano se
nutria de carne humana. Só muito depois compreendeu que se tratava de um falo
e, anos mais tarde, compreendeu que se tratava de um falo ritual e também que
podia representar o “Senhor Jesus” ou os jesuítas” que tanto ele temia.
Os conflitos religiosos cedo se
apresentaram. Conflitos que na verdade, eram a construção da sua religiosidade
diferente dos dogmas, e esse sonho tão precoce, talvez refletisse as
dificuldades vivenciadas pelo seu pai.
Ainda criança, questionava o sentido
da palavra “eu” que aparecia nos seus jogos de pensamentos, na sua relação com
uma pedra onde ele costumava se sentar para viver a dialética “eu estou sentado
nessa pedra. Eu em cima e ela, embaixo, mas também, a pedra poderia dizer “eu’
e pensar “eu estou aqui neste declive e ele está em cima de mim” (JUNG, 1963, p.32).
Aos onze anos, Jung fez a descoberta de que
era pobre. A comparação com os colegas, quando entrou no ginásio, deram-lhe a
dimensão das diferenças sociais. Junto a isso, durante o seu afastamento da
escola, por um período, por motivos de saúde se deparou novamente com esse dado
da realidade ao escutar uma conversa de seu pai com um amigo onde o pai dizia
que não sabia o que fazer com o filho e se preocupava com o seu futuro, uma vez
que não tinha reservas financeiras. Daí, sob grande esforço, conseguiu retornar
ao colégio, entrando assim, em contato pela primeira vez com o que é uma
neurose: “a neurose fora o meu novo segredo, mas um segredo vergonhoso, uma
derrota” (JUNG, 1963, p. 42)
No período em que
estivera afastado dos estudos usufruiu da sua liberdade, mergulhando no mundo
do mistério da natureza e da biblioteca do pai e percebeu depois que o que lhe
extraviara fora o fascínio da solidão. O mergulho na natureza era o que havia
lhe convidado. “cada planta, cada pedra, tudo se me afigurava animado e
indescritível” (JUNG, 1963, p. 42). Foi essa a época do mergulho na essência da
natureza, longe do mundo humano.
Mas também foi nesse
período de sua vida que Jung viveu outra experiência muito importante: teve uma
forte sensação de existência, como se tivesse saído de uma névoa espessa, tomando
consciência de si. “Agora eu existo”,
pensava ele e se dava conta de uma grande autoridade dentro de si. A partir
daí, perturbado, ele passou a se perceber como duas pessoas diferentes: Uma
delas era um menino de colégio que não compreendia matemática e que se
caracterizava pela insegurança e o outro que era um homem importante, de grande
autoridade (...) era velho, usava sapatos de fivela, peruca branca e vivia no
século XVIII. Essas imagens que se apresentavam como nítidas recordações eram
vivenciadas de forma muito real (JUNG, 1963, p.43)
Outra experiência
marcante, também nessa época, foi a visão que ele teve quando voltava do
colégio, ao meio-dia, passando pela praça da catedral, num dia muito ensolarado
e, deslumbrado pela beleza do espetáculo pensava: “o mundo é belo, a igreja é
bela, e deus que criou tudo isso está sentado lá no alto, no céu azul, no seu
trono de ouro...” (JUNG, 1963, p. 45), nesse momento sentiu uma asfixia, pois
percebia que seus pensamentos lhe conduziam a algo terrível que lhe levaria ao
inferno se prosseguisse nessa linha de pensamentos. Depois de muitos dias de
conflito, ele permitiu-se dar curso a esta associação de idéias, e reunindo de
toda a coragem deixou o pensamento emergir diante dos seus olhos: Vê Deus sentado
no seu trono de ouro, muito alto, acima do mundo e debaixo do trono, um enorme
excremento cai sobre o teto novo e colorido da igreja; este se despedaça e os
muros desabam. (JUNG, 1963, p.47)
Esse momento de
indescritível alívio foi a sua libertação. Entre lágrimas de felicidade sentiu
como se fosse uma iluminação. Depois ele compreendeu que tinha realizado a
experiência que seu pai não conseguiu: conhecer um Deus vivo e real. O pai não
conhecia, como ele agora, um Deus vivo e que se mantém vivo acima da Bíblia e
da Igreja. Seu pai nunca vivera o milagre da cura que torna tudo compreensível.
A
JUVENTUDE:
Dos dezesseis ao dezenove
anos, os estados depressivos melhoraram e foi absorvido pela escola, pela vida
da cidade e sua cultura. Descobriu a filosofia (JUNG, 1963, p.70) e se
identificou, ou melhor, reconheceu suas intuições em Pitágoras, Heráclito,
Empédocles e Platão. Sentiu em Meister Eckart o “sopro da vida”, mas o seu
grande achado foi Shopenhauer: “Encontrei
finalmente um homem que tivera a coragem de encarar a imperfeição que havia no
fundamento do universo” (JUNG, 1963, p.71).
A evolução filosófica se
estendeu dos dezessete anos até um período avançado dos estudos de Medicina. O
resultado foi uma mudança drástica: Se antes ele era tímido, ansioso, pálido,
desconfiado e de saúde instável, tornou-se seguro, saudável e mais
comunicativo.
Aos dezoito anos tinha
muitas discussões religiosas com o pai, sempre com a esperança de fazê-lo
experimentar a “graça”. Mas, essas discussões jamais chegavam a um fim que o
satisfizesse. O pai sempre se apegava aos dogmas e recusava as experiências
imediatas, e durante seus sermões, parecia-lhe alguém que contava histórias que
não crê e que só conhece por ouvir dizer. Ele percebia o pai como um infeliz
que nunca se utilizou do seu real potencial e de sua verdade.
Quanto à sua mãe, sentia
uma grande afinidade. Ela também tinha duas personalidades: uma era uma mulher
que partilhava das opiniões tradicionais, inofensiva e humana e outra revelava
um aspecto “sombrio” dotado de grande sabedoria e parecia temível. Essa última
aparecia em determinados momentos e suas palavras atingiam Jung profundamente.
Ela era capaz de dar conselhos sobre assuntos que desconhecia, quando, por
exemplo, em meio às dúvidas religiosas do filho, sugeriu que ele lesse Fausto
de Goethe, o que lhe proporcionou à época, muitos esclarecimentos. Ele escutava
esse alguém que falava nela e não a reconhecia nessa estranha sabedoria.
Havia uma
notável diferença entre as duas personalidades de minha mãe. Quando criança
tive sonhos de angústia motivados por ela. Durante o dia era uma mãe amorosa
mas, à noite, a julgava terrível. Parecia uma vidente (...) de minha mãe herdei
o dom de ver homens e coisas tais como são. (JUNG, 1963, p.56)
Na escola era considerado
pelos professores tolo e desleal. Quando algo errado acontecia as suspeitas
recaíam sobre ele e quanto aos seus trabalhos, mesmo sendo o primeiro da
classe, os professores suspeitavam ou mesmo o acusavam de não ter feito. Ele
atribuía esses mal-entendidos ao fato de se conhecer pouco e tinha sempre má
consciência e culpabilidade potencial.
Jung teve dificuldades em
realizar uma escolha vocacional, de um lado, as Ciências Naturais o atraíam por
serem fundadas em coisas reais e o conduziam a escolher a Zoologia,
Paleontologia e Geologia, mas também sentia-se fascinado por tudo que se
referisse á história comparada das religiões, por isso, a arqueologia
Greco-Romana, Egípcia e Pré-histórica lhe atraíam também. Nas primeiras
escolhas lamentava a ausência de fator significativo e nas segundas, a ausência
de empirismo. Daí, ter decidido pela Medicina (Psiquiatria), por ser um campo
comum da experiência de dados biológicos e espirituais, tratando-se enfim, do
encontro da natureza e do espírito. Daí, o problema a ser superado passou a ser
como obter recursos para os estudos. Tendo conseguido uma bolsa de estudos por
solicitação do seu pai.
Na juventude, ao sentir
uma profunda tristeza e cólera por ser acusado de fraude de uma composição
escolar, uma conversa consigo mesmo foi travada, conforme conta Jung: “produziu-se
em mim algo que já ocorrera em outras ocasiões,: fez-se, de repente, um grande
silêncio... e no meu íntimo, surgiu uma pergunta: o que está acontecendo? Como
você está agitado!(...) Você
desconfia dos outros e de si mesmo.
Quando não compreendemos algo, caímos facilmente em estados de excitação.”
(JUNG, 1963, p.68). Sentia-se dois: o primeiro era filho de seus pais, o
colegial de 1890: era menos inteligente, atento, decente e asseado. O outro era
um adulto velho, cético, desconfiado e distante do mundo dos homens. Vivia em
comunhão com a natureza e conhecia Deus.
O ADULTO:
No ano de 1895 Jung inicia seus estudos na
Universidade da Basiléia e, nesse mesmo ano, seu pai morre. Após a morte de seu
pai, graves problemas financeiros quase o impediram de continuar os estudos,
não fosse a ajuda oportuna do irmão mais moço de sua mãe.
Mesmo nesse tempo de
pobreza, Jung aprendeu a valorizar as coisas simples e foi feliz nos seus
estudos. Tudo era intelectualmente vivo. Estudava também a filosofia que tanto
amava e fez amizades que duraram toda a sua vida.
Jung ficava perplexo, no
entanto, com a ausência de estudos sobre a alma. Lia C.G.Carus que mencionava,
mas não aprofundava esses estudos para ele, essenciais. Encontrou um livro
sobre os primórdios do Espiritismo e falava das aparições de espíritos. Para
ele, eram relatos de fenômenos psíquicos objetivos. Mas quando esses assuntos
eram comentados ele não compreendia a reação das pessoas: ou brincavam ou não
acreditavam. Ele se surpreendia com a segurança das afirmações sobre a
impossibilidade de mesas giratórias e a certeza das pessoas que se tratavam de
embuste. Jung achava essas possibilidades interessantes e atraentes. Elas
embelezavam a sua existência e o mundo ganhava profundidade.
Enquanto prosseguia seus
estudos de medicina, estudava também Kant, E. Von Hartmann. Se identificando
intensamente com Nietzsche. Ele se formou em medicina em 1900, aos 25 anos, e
deixou a Basiléia para ocupar o cargo de segundo assistente no Hospital
Burgholzli, de Zurique (10 de dezembro de 1900), dirigido pelo renomado
psiquiatra Eugen Bleuler.
Seu
percurso nesse hospital foi brilhante. Em 1902 passava a primeiro assistente e
defendia sua tese de doutorado com o trabalho intitulado “Psicologia e
Patologia dos Fenômenos ditos Ocultos”, referente ao estudo de caso de uma
jovem médium espírita.
Em
1903, já estabelecido como psiquiatra, em Zurique, Jung casa-se com Emma
Rauschenbach com quem viveu toda a vida e com ela teve cinco filhos.
No hospital Burgholzli,
uma questão ocupava o primeiro plano dos interesses de Jung: “O que se passava
na mente de um doente mental?” Essa questão não ecoava entre os psiquiatras que
se importavam com os diagnósticos, descrição de sintomas e dados
estatísticos. Jung observava que não
havia cuidado efetivo com o doente mental enquanto ser humano. E foi nessa
situação que Sigmund Freud adquiriu para ele, tanta importância. Eram
admiráveis as suas pesquisas sobre a histeria e sobre os sonhos.
Em
Burgholzli, foi assistente de Bleuler e, em 1905, assumiu um posto próximo a
ele, sendo também nomeado Privat-Dozent, iniciando cursos de crescente
repercussão, na Universidade de Zurique.
Entre
1904 e 1909, marcaram época suas experiências sobre as associações verbais, que
foram iniciadas como forma de esclarecimento à estrutura psicológica da
esquizofrenia, sendo transformada numa forma de exploração do inconsciente, o
que o conduziu à descoberta dos complexos. Essa conceituação juntamente à
técnica para detectá-los foi a sua primeira contribuição para a Psicologia
Moderna.
Seus estudos
se notabilizaram e foi convidado a proferir palestras sobre as suas conclusões
na Clark University, nos Estados Unidos, quando viajou junto com Freud. Na
ocasião, ambos receberam o título de Doutor Honoris Causa.
Jung
não acreditava que um médico deveria limitar a sua atuação à aplicação de um
método. Não se trata de confirmar uma teoria, mas de fazer o paciente
compreender a si mesmo como indivíduo e isso só é possível, uma vez
estabelecido o confronto com idéias coletivas que o médico deve conhecer. Jung
declara ainda a imensa importância do médico conhecer a si próprio, a análise é
a condição sine qua non da formação de um médico. Só conhecendo a si mesmo que
o médico poderá curar. Antes não. Recomenda ainda, que todo médico deve ter um supervisor
para poder confrontar-se com outro ponto de vista.
Nos
anos de 1906, 1907 e 1908, respectivamente, Jung publicou: Estudos Sobre as
Associações; A Psicologia da Demência Precoce e o Conteúdo das Psicoses. Os
dois últimos trabalhos demonstram que nas psicoses, encerram significações que
descrevem frustrações, desejos e esperanças dos doentes.
No
ano de 1907, acontece o seu encontro pela primeira vez com Freud, depois de
quase um ano de correspondências, quando Freud o convidou para ir à sua casa em Viena. Os dois
conversaram ininterruptamente durante treze horas, tal a afinidade que
descobriam.
Freud era a primeira personalidade verdadeiramente importante com a qual
me relacionava. Ninguém entre as pessoas que eu conhecia podia se comparar com
ele. Em sua atitude nada havia de trivial. Eu o achei extraordinariamente
inteligente, penetrante, notável sob todos os pontos de vista. No entanto, as
primeiras impressões que dele recebi permaneceram vagas e em parte incompreendidas.
(JUNG, 1963, p.135).
Em 1906, Jung publicou
Estudos sobre Associações. Jung apresentava objeções à teoria sexual de Freud,
mas este alegava sua falta de experiência. Jung não conseguia de fato formular
sua oposição, como médico jovem que era, com seus vinte e oito anos. Porém
percebia que Freud analisava diversas situações, inclusive manifestações
artísticas e espirituais como manifestações de “sexualidade recalcada”, o que
Jung considerava uma inflação do conceito.
Quando
Jung redigiu o capítulo “Sacrifício”, no seu livro, “Metamorfoses e símbolos da
Libido”, sentiu que lhe custaria a sua amizade com Freud, pois nele expos a sua
própria concepção do incesto, da metamorfose decisiva do conceito de libido e
de outras idéias que representavam seu afastamento dele.
Após passar
muitos dias atormentado com essa possibilidade de rompimento de amizade,
decidiu escrever. Isso realmente custou a sua amizade com Freud.
A
ruptura com Freud, em 1912, marcou o início de um período muito intenso para
Jung, o qual ele denominou de confronto com o inconsciente. Desenvolveu assim,
o seu próprio método para interpretação de sonhos, questionou sobre a
importância de pesquisar o mito vivido pelo indivíduo e chegou a conceitos
básicos da sua psicologia.
Após
esse período ficou claro para Jung que a meta do desenvolvimento psíquico é o
si-mesmo.
Em 1957, ele reflete que foram
necessários quarenta e cinco anos para elaborar e inscrever no quadro da sua
obra científica os elementos que viveu e anotou nessa época da sua vida. Os
detalhes da sua obra foram acrescentados depois, mas esse confronto com o
inconsciente foi “a matéria-prima para a obra de uma vida inteira” JUNG, 1963,
p.176).
Esse confronto com o
inconsciente ocorreu na segunda metade de sua via e foi o impulso para a
criação da psicologia analítica.
Após
esse período de 1913 a
1917, perguntando-se a si mesmo do que fazer com o inconsciente, ele escreveu
“A Dialética do Eu e do Inconsciente”. Elaborando depois “Tipos Psicológicos”.
Atingiu o ponto central da sua psicologia com o conceito de self e escreveu “O
segredo da flor de Ouro” e, em 1928, “A Energética da Alma.
Em
“Psicologia e Religião”, desenvolve esse tema que desde muito cedo já lhe
ocupava os pensamentos e também em “Paracelso. Psicologia e Alquimia” (1944),
trata do amadurecimento das suas descobertas e longos estudos dedicados à
Alquimia e sua relação com a individuação. No “Aion”, ele retoma ao problema do
Cristo. E, em 1955, “A Psicologia da transferência” e “Mysterium Conjunctions”.
Jung, após
sofrer um infarto em 1944, aos 69 anos e passar por uma experiência de quase
morte, entrou num período de intensa produtividade. Muitas de suas obras
principais surgiram depois desse momento.
Ele
compreendeu a importância de aceitar o destino, de dar um sim incondicional ao
que é, sem objeções subjetivas, numa aceitação das condições da existência como
se vê e compreende. Quando se segue o caminho da individuação, constatou Jung,
quando vivemos nossa vida é preciso também aceitar o erro. Compreendeu a
importância de aceitar os pensamentos e o destino. Percebeu que há um “Eu” que
não recua, que suporta a verdade e está acima do mundo e do destino.
De modo algum foi Jung um melancólico
que fugisse do mundo. Sua jovialidade era conhecida e comentava-se a riqueza da
gama de seus risos, que ia desde o sutil sorriso do intelectual requintado à
vasta gargalhada de um camponês sadio. Estava sempre pronto a relacionar-se com
outra pessoa discípulo, amigo ou mesmo visitante estrangeiro. “Não quero
libertar-me nem dos seres humanos, nem de mim mesmo, nem da natureza, porque
tudo isso apresenta-se para mim como o maior dos milagres. (SILVEIRA,1981,
p.8).
Jung encerra a sua jornada
em 06 de junho de 1961 e deixa um conjunto de obras completas, na edição
inglesa, de 18 volumes, numerosos seminários mimeografados, pertencentes ao
Instituto C.G. Jung, de Zurique.
Referências:
Referências:
FRANZ,
Marie Louise Von. C.G, Jung, Seu Mito em
nossa Época. Ed.Cultrix, SP,1997.
_______________________O
Caminho dos Sonhos. Ed Cultrix, SP, 1996.
JUNG, C. G. Memórias, Sonhos e reflexões. Ed. Nova fronteira, RJ, 5ª ed.,
1963.
SILVEIRA,
Nise. Jung-vida e obra. 7º Ed. Ed. Paz e Terra, RJ, 1981.

Parabéns, Betinha, por seu Blog. Li a biografia de Jung e está muito boa. Continue produzindo. bjo
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