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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Jung - Biografia




Redação: Elisabete Fernandes

CARL GUSTAV JUNG – BIOGRAFIA 

          Carl Gustav Jung, renomado psiquiatra, autor da Psicologia Analítica, foi um dos maiores estudiosos da vida interior do homem.


         Ele nos afirma que toda a sua obra, é apenas a formulação científica, em linguagem moderna, de sua experiência das realidades da alma. “A minha vida é a história de um inconsciente que se realizou” (JUNG, 1963, p. 19), assim descreve sua vida, escrevendo, aos 83 anos a sua auto-biografia, discorrendo  o relato de sonhos, visões, intuições e experiências profundas que contribuíram como alicerce na construção da Psicologia Junguiana. 

          As experiências e emoções de Jung estão descritas no seu livro "Memórias, Sonhos e Reflexões", escrito ao final da formulação de toda a sua obra, e nele demonstra o quanto a sua vida foi a experimentação do que teorizou, o quanto a sua obra é o resultado de sua vida. Nele, testemunhamos as diversas experiências de sonhos marcantes, visão de imagens mitológicas e espirituais, manifestações parapsicológicas e toda a trajetória na construção da sua rica obra.         

          Assim, segue o relato de alguns fatos marcantes, ao longo da sua vida, no intuito de ilustrar a dinâmica de vida de Jung e do processo de elaboração da sua obra, baseando-se nas seguintes fontes literárias: “Memórias, Sonhos e reflexões”, do próprio Jung e “CG Jung, vida e Obra”, de Nise da Silveira. 



           A INFÂNCIA:



Carl Gustav Jung nasceu a 26 de julho de 1875, em Kesswil, aldeia pertencente ao cantão da Turgóvia, na Suíça. Aos quatro anos, seu pai, Paul Achilles Jung, foi transferido para Klein Huningen, para exercer suas funções de pastor protestante, nos arredores de Basiléia. E ali, Jung fez todos os seus estudos, inclusive o curso médico. Esta cidade era, na época, um dos mais importantes centros culturais da Europa. Basta lembrar que Nietzsche deu cursos memoráveis na Universidade de Basiléia no período 1869-1879.

           Em seu livro de memórias, Jung não esconde as restrições que fazia ao pai. Jung sofreu com o que ele considerava a estagnação de seu pai: Percebia que nele faltaram forças para seguir seu destino e o via preso a dogmas e apegado a uma fé que na verdade não o convencia. Sentia-se muito mais afim com sua mãe.

          Com ela, Emilie Jung (filha de pastor da Basiléia), ele mantinha um melhor relacionamento, embora observasse que ela tinha duas personalidades: uma simples e maternal, que exigia do filho boas maneiras e fazia-1he recomendações impertinentes sobre o modo de usar o lenço ou coisas semelhantes. E outra, autoritária e misteriosa, que lhe dava medo.

          Sua infância foi marcada pelas dificuldades conjugais de seus pais e viveu desde a infância experiências misteriosas e angustiantes: à noite, sofria de visões. Do quarto de sua mãe ele percebia a presença de estranhas energias. Ele tinha experiências surpreendentes e misteriosas que, sem que se desse conta, lentamente o conduziam para a sua missão de estudioso da alma. Perguntava-se constantemente, numa freqüência incomum para uma criança, quem era Deus e o Senhor Jesus.

          Inúmeros acontecimentos, durante a sua infância, contribuíram para um constante questionamento ainda precoce acerca do ser e da religiosidade, dentre elas, um sonho (JUNG, 1963, p. 25) ocorrido quando tinha entre três e quatro anos de idade que marcou toda a sua vida e lhe preocupou por muitos anos, sem compartilhar com ninguém: Uma forma estranha e gigantesca emergia de um quarto subterrâneo, em cima de um trono de ouro, carne viva, sua parte superior terminava numa espécie de cabeça cônica e arredondada sem rosto, nem cabelos. No topo, um olho único, imóvel, fitava o alto. Esse ser inumano se nutria de carne humana. Só muito depois compreendeu que se tratava de um falo e, anos mais tarde, compreendeu que se tratava de um falo ritual e também que podia representar o “Senhor Jesus” ou os jesuítas” que tanto ele temia.

         Os conflitos religiosos cedo se apresentaram. Conflitos que na verdade, eram a construção da sua religiosidade diferente dos dogmas, e esse sonho tão precoce, talvez refletisse as dificuldades vivenciadas pelo seu pai.

          Ainda criança, questionava o sentido da palavra “eu” que aparecia nos seus jogos de pensamentos, na sua relação com uma pedra onde ele costumava se sentar para viver a dialética “eu estou sentado nessa pedra. Eu em cima e ela, embaixo, mas também, a pedra poderia dizer “eu’ e pensar “eu estou aqui neste declive e ele está em cima de mim” (JUNG, 1963, p.32).

          Aos onze anos, Jung fez a descoberta de que era pobre. A comparação com os colegas, quando entrou no ginásio, deram-lhe a dimensão das diferenças sociais. Junto a isso, durante o seu afastamento da escola, por um período, por motivos de saúde se deparou novamente com esse dado da realidade ao escutar uma conversa de seu pai com um amigo onde o pai dizia que não sabia o que fazer com o filho e se preocupava com o seu futuro, uma vez que não tinha reservas financeiras. Daí, sob grande esforço, conseguiu retornar ao colégio, entrando assim, em contato pela primeira vez com o que é uma neurose: “a neurose fora o meu novo segredo, mas um segredo vergonhoso, uma derrota” (JUNG, 1963, p. 42)

          No período em que estivera afastado dos estudos usufruiu da sua liberdade, mergulhando no mundo do mistério da natureza e da biblioteca do pai e percebeu depois que o que lhe extraviara fora o fascínio da solidão. O mergulho na natureza era o que havia lhe convidado. “cada planta, cada pedra, tudo se me afigurava animado e indescritível” (JUNG, 1963, p. 42). Foi essa a época do mergulho na essência da natureza, longe do mundo humano.

          Mas também foi nesse período de sua vida que Jung viveu outra experiência muito importante: teve uma forte sensação de existência, como se tivesse saído de uma névoa espessa, tomando consciência de si. “Agora eu existo”, pensava ele e se dava conta de uma grande autoridade dentro de si. A partir daí, perturbado, ele passou a se perceber como duas pessoas diferentes: Uma delas era um menino de colégio que não compreendia matemática e que se caracterizava pela insegurança e o outro que era um homem importante, de grande autoridade (...) era velho, usava sapatos de fivela, peruca branca e vivia no século XVIII. Essas imagens que se apresentavam como nítidas recordações eram vivenciadas de forma muito real (JUNG, 1963, p.43)

          Outra experiência marcante, também nessa época, foi a visão que ele teve quando voltava do colégio, ao meio-dia, passando pela praça da catedral, num dia muito ensolarado e, deslumbrado pela beleza do espetáculo pensava: “o mundo é belo, a igreja é bela, e deus que criou tudo isso está sentado lá no alto, no céu azul, no seu trono de ouro...” (JUNG, 1963, p. 45), nesse momento sentiu uma asfixia, pois percebia que seus pensamentos lhe conduziam a algo terrível que lhe levaria ao inferno se prosseguisse nessa linha de pensamentos. Depois de muitos dias de conflito, ele permitiu-se dar curso a esta associação de idéias, e reunindo de toda a coragem deixou o pensamento emergir diante dos seus olhos: Vê Deus sentado no seu trono de ouro, muito alto, acima do mundo e debaixo do trono, um enorme excremento cai sobre o teto novo e colorido da igreja; este se despedaça e os muros desabam. (JUNG, 1963, p.47)

          Esse momento de indescritível alívio foi a sua libertação. Entre lágrimas de felicidade sentiu como se fosse uma iluminação. Depois ele compreendeu que tinha realizado a experiência que seu pai não conseguiu: conhecer um Deus vivo e real. O pai não conhecia, como ele agora, um Deus vivo e que se mantém vivo acima da Bíblia e da Igreja. Seu pai nunca vivera o milagre da cura que torna tudo compreensível.

             A JUVENTUDE:

          Dos dezesseis ao dezenove anos, os estados depressivos melhoraram e foi absorvido pela escola, pela vida da cidade e sua cultura. Descobriu a filosofia (JUNG, 1963, p.70) e se identificou, ou melhor, reconheceu suas intuições em Pitágoras, Heráclito, Empédocles e Platão. Sentiu em Meister Eckart o “sopro da vida”, mas o seu grande achado foi Shopenhauer: “Encontrei finalmente um homem que tivera a coragem de encarar a imperfeição que havia no fundamento do universo” (JUNG, 1963, p.71).

          A evolução filosófica se estendeu dos dezessete anos até um período avançado dos estudos de Medicina. O resultado foi uma mudança drástica: Se antes ele era tímido, ansioso, pálido, desconfiado e de saúde instável, tornou-se seguro, saudável e mais comunicativo.

          Aos dezoito anos tinha muitas discussões religiosas com o pai, sempre com a esperança de fazê-lo experimentar a “graça”. Mas, essas discussões jamais chegavam a um fim que o satisfizesse. O pai sempre se apegava aos dogmas e recusava as experiências imediatas, e durante seus sermões, parecia-lhe alguém que contava histórias que não crê e que só conhece por ouvir dizer. Ele percebia o pai como um infeliz que nunca se utilizou do seu real potencial e de sua verdade.

          Quanto à sua mãe, sentia uma grande afinidade. Ela também tinha duas personalidades: uma era uma mulher que partilhava das opiniões tradicionais, inofensiva e humana e outra revelava um aspecto “sombrio” dotado de grande sabedoria e parecia temível. Essa última aparecia em determinados momentos e suas palavras atingiam Jung profundamente. Ela era capaz de dar conselhos sobre assuntos que desconhecia, quando, por exemplo, em meio às dúvidas religiosas do filho, sugeriu que ele lesse Fausto de Goethe, o que lhe proporcionou à época, muitos esclarecimentos. Ele escutava esse alguém que falava nela e não a reconhecia nessa estranha sabedoria.

 Havia uma notável diferença entre as duas personalidades de minha mãe. Quando criança tive sonhos de angústia motivados por ela. Durante o dia era uma mãe amorosa mas, à noite, a julgava terrível. Parecia uma vidente (...) de minha mãe herdei o dom de ver homens e coisas tais como são. (JUNG, 1963, p.56)

          Na escola era considerado pelos professores tolo e desleal. Quando algo errado acontecia as suspeitas recaíam sobre ele e quanto aos seus trabalhos, mesmo sendo o primeiro da classe, os professores suspeitavam ou mesmo o acusavam de não ter feito. Ele atribuía esses mal-entendidos ao fato de se conhecer pouco e tinha sempre má consciência e culpabilidade potencial.

          Jung teve dificuldades em realizar uma escolha vocacional, de um lado, as Ciências Naturais o atraíam por serem fundadas em coisas reais e o conduziam a escolher a Zoologia, Paleontologia e Geologia, mas também sentia-se fascinado por tudo que se referisse á história comparada das religiões, por isso, a arqueologia Greco-Romana, Egípcia e Pré-histórica lhe atraíam também. Nas primeiras escolhas lamentava a ausência de fator significativo e nas segundas, a ausência de empirismo. Daí, ter decidido pela Medicina (Psiquiatria), por ser um campo comum da experiência de dados biológicos e espirituais, tratando-se enfim, do encontro da natureza e do espírito. Daí, o problema a ser superado passou a ser como obter recursos para os estudos. Tendo conseguido uma bolsa de estudos por solicitação do seu pai.

          Na juventude, ao sentir uma profunda tristeza e cólera por ser acusado de fraude de uma composição escolar, uma conversa consigo mesmo foi travada, conforme conta Jung: “produziu-se em mim algo que já ocorrera em outras ocasiões,: fez-se, de repente, um grande silêncio... e no meu íntimo, surgiu uma pergunta: o que está acontecendo? Como você está agitado!(...) Você desconfia dos outros e de si mesmo. Quando não compreendemos algo, caímos facilmente em estados de excitação.” (JUNG, 1963, p.68). Sentia-se dois: o primeiro era filho de seus pais, o colegial de 1890: era menos inteligente, atento, decente e asseado. O outro era um adulto velho, cético, desconfiado e distante do mundo dos homens. Vivia em comunhão com a natureza e conhecia Deus.

          O ADULTO:

No ano de 1895 Jung inicia seus estudos na Universidade da Basiléia e, nesse mesmo ano, seu pai morre. Após a morte de seu pai, graves problemas financeiros quase o impediram de continuar os estudos, não fosse a ajuda oportuna do irmão mais moço de sua mãe.

          Mesmo nesse tempo de pobreza, Jung aprendeu a valorizar as coisas simples e foi feliz nos seus estudos. Tudo era intelectualmente vivo. Estudava também a filosofia que tanto amava e fez amizades que duraram toda a sua vida.

           Jung ficava perplexo, no entanto, com a ausência de estudos sobre a alma. Lia C.G.Carus que mencionava, mas não aprofundava esses estudos para ele, essenciais. Encontrou um livro sobre os primórdios do Espiritismo e falava das aparições de espíritos. Para ele, eram relatos de fenômenos psíquicos objetivos. Mas quando esses assuntos eram comentados ele não compreendia a reação das pessoas: ou brincavam ou não acreditavam. Ele se surpreendia com a segurança das afirmações sobre a impossibilidade de mesas giratórias e a certeza das pessoas que se tratavam de embuste. Jung achava essas possibilidades interessantes e atraentes. Elas embelezavam a sua existência e o mundo ganhava profundidade.

           Enquanto prosseguia seus estudos de medicina, estudava também Kant, E. Von Hartmann. Se identificando intensamente com Nietzsche. Ele se formou em medicina em 1900, aos 25 anos, e deixou a Basiléia para ocupar o cargo de segundo assistente no Hospital Burgholzli, de Zurique (10 de dezembro de 1900), dirigido pelo renomado psiquiatra Eugen Bleuler.

          Seu percurso nesse hospital foi brilhante. Em 1902 passava a primeiro assistente e defendia sua tese de doutorado com o trabalho intitulado “Psicologia e Patologia dos Fenômenos ditos Ocultos”, referente ao estudo de caso de uma jovem médium espírita.

          Em 1903, já estabelecido como psiquiatra, em Zurique, Jung casa-se com Emma Rauschenbach com quem viveu toda a vida e com ela teve cinco filhos.

No hospital Burgholzli, uma questão ocupava o primeiro plano dos interesses de Jung: “O que se passava na mente de um doente mental?” Essa questão não ecoava entre os psiquiatras que se importavam com os diagnósticos, descrição de sintomas e dados estatísticos.  Jung observava que não havia cuidado efetivo com o doente mental enquanto ser humano. E foi nessa situação que Sigmund Freud adquiriu para ele, tanta importância. Eram admiráveis as suas pesquisas sobre a histeria e sobre os sonhos.

          Em Burgholzli, foi assistente de Bleuler e, em 1905, assumiu um posto próximo a ele, sendo também nomeado Privat-Dozent, iniciando cursos de crescente repercussão, na Universidade de Zurique.

          Entre 1904 e 1909, marcaram época suas experiências sobre as associações verbais, que foram iniciadas como forma de esclarecimento à estrutura psicológica da esquizofrenia, sendo transformada numa forma de exploração do inconsciente, o que o conduziu à descoberta dos complexos. Essa conceituação juntamente à técnica para detectá-los foi a sua primeira contribuição para a Psicologia Moderna.

         Seus estudos se notabilizaram e foi convidado a proferir palestras sobre as suas conclusões na Clark University, nos Estados Unidos, quando viajou junto com Freud. Na ocasião, ambos receberam o título de Doutor Honoris Causa.

          Jung não acreditava que um médico deveria limitar a sua atuação à aplicação de um método. Não se trata de confirmar uma teoria, mas de fazer o paciente compreender a si mesmo como indivíduo e isso só é possível, uma vez estabelecido o confronto com idéias coletivas que o médico deve conhecer. Jung declara ainda a imensa importância do médico conhecer a si próprio, a análise é a condição sine qua non da formação de um médico. Só conhecendo a si mesmo que o médico poderá curar. Antes não. Recomenda ainda, que todo médico deve ter um supervisor para poder confrontar-se com outro ponto de vista.

          Nos anos de 1906, 1907 e 1908, respectivamente, Jung publicou: Estudos Sobre as Associações; A Psicologia da Demência Precoce e o Conteúdo das Psicoses. Os dois últimos trabalhos demonstram que nas psicoses, encerram significações que descrevem frustrações, desejos e esperanças dos doentes.

          No ano de 1907, acontece o seu encontro pela primeira vez com Freud, depois de quase um ano de correspondências, quando Freud o convidou para ir à sua casa em Viena. Os dois conversaram ininterruptamente durante treze horas, tal a afinidade que descobriam.

          Freud era a primeira personalidade verdadeiramente importante com a qual me relacionava. Ninguém entre as pessoas que eu conhecia podia se comparar com ele. Em sua atitude nada havia de trivial. Eu o achei extraordinariamente inteligente, penetrante, notável sob todos os pontos de vista. No entanto, as primeiras impressões que dele recebi permaneceram vagas e em parte incompreendidas. (JUNG, 1963, p.135).



Em 1906, Jung publicou Estudos sobre Associações. Jung apresentava objeções à teoria sexual de Freud, mas este alegava sua falta de experiência. Jung não conseguia de fato formular sua oposição, como médico jovem que era, com seus vinte e oito anos. Porém percebia que Freud analisava diversas situações, inclusive manifestações artísticas e espirituais como manifestações de “sexualidade recalcada”, o que Jung considerava uma inflação do conceito.

         Quando Jung redigiu o capítulo “Sacrifício”, no seu livro, “Metamorfoses e símbolos da Libido”, sentiu que lhe custaria a sua amizade com Freud, pois nele expos a sua própria concepção do incesto, da metamorfose decisiva do conceito de libido e de outras idéias que representavam seu afastamento dele.

          Após passar muitos dias atormentado com essa possibilidade de rompimento de amizade, decidiu escrever. Isso realmente custou a sua amizade com Freud.

          A ruptura com Freud, em 1912, marcou o início de um período muito intenso para Jung, o qual ele denominou de confronto com o inconsciente. Desenvolveu assim, o seu próprio método para interpretação de sonhos, questionou sobre a importância de pesquisar o mito vivido pelo indivíduo e chegou a conceitos básicos da sua psicologia.

          Após esse período ficou claro para Jung que a meta do desenvolvimento psíquico é o si-mesmo.

          Em 1957, ele reflete que foram necessários quarenta e cinco anos para elaborar e inscrever no quadro da sua obra científica os elementos que viveu e anotou nessa época da sua vida. Os detalhes da sua obra foram acrescentados depois, mas esse confronto com o inconsciente foi “a matéria-prima para a obra de uma vida inteira” JUNG, 1963, p.176).

Esse confronto com o inconsciente ocorreu na segunda metade de sua via e foi o impulso para a criação da psicologia analítica.

          Após esse período de 1913 a 1917, perguntando-se a si mesmo do que fazer com o inconsciente, ele escreveu “A Dialética do Eu e do Inconsciente”. Elaborando depois “Tipos Psicológicos”. Atingiu o ponto central da sua psicologia com o conceito de self e escreveu “O segredo da flor de Ouro” e, em 1928, “A Energética da Alma.

           Em “Psicologia e Religião”, desenvolve esse tema que desde muito cedo já lhe ocupava os pensamentos e também em “Paracelso. Psicologia e Alquimia” (1944), trata do amadurecimento das suas descobertas e longos estudos dedicados à Alquimia e sua relação com a individuação. No “Aion”, ele retoma ao problema do Cristo. E, em 1955, “A Psicologia da transferência” e “Mysterium Conjunctions”.

          Jung, após sofrer um infarto em 1944, aos 69 anos e passar por uma experiência de quase morte, entrou num período de intensa produtividade. Muitas de suas obras principais surgiram depois desse momento.

         Ele compreendeu a importância de aceitar o destino, de dar um sim incondicional ao que é, sem objeções subjetivas, numa aceitação das condições da existência como se vê e compreende. Quando se segue o caminho da individuação, constatou Jung, quando vivemos nossa vida é preciso também aceitar o erro. Compreendeu a importância de aceitar os pensamentos e o destino. Percebeu que há um “Eu” que não recua, que suporta a verdade e está acima do mundo e do destino.



          De modo algum foi Jung um melancólico que fugisse do mundo. Sua jovialidade era conhecida e comentava-se a riqueza da gama de seus risos, que ia desde o sutil sorriso do intelectual requintado à vasta gargalhada de um camponês sadio. Estava sempre pronto a relacionar-se com outra pessoa discípulo, amigo ou mesmo visitante estrangeiro. “Não quero libertar-me nem dos seres humanos, nem de mim mesmo, nem da natureza, porque tudo isso apresenta-se para mim como o maior dos milagres. (SILVEIRA,1981, p.8).



Jung encerra a sua jornada em 06 de junho de 1961 e deixa um conjunto de obras completas, na edição inglesa, de 18 volumes, numerosos seminários mimeografados, pertencentes ao Instituto C.G. Jung, de Zurique.


Referências:


FRANZ, Marie Louise Von. C.G, Jung, Seu Mito em nossa Época. Ed.Cultrix, SP,1997.
_______________________O Caminho dos Sonhos. Ed Cultrix, SP, 1996.
JUNG, C. G. Memórias, Sonhos e reflexões. Ed. Nova fronteira, RJ, 5ª ed., 1963.
SILVEIRA, Nise.  Jung-vida e obra. 7º Ed. Ed. Paz e Terra, RJ, 1981.



































Um comentário:

  1. Parabéns, Betinha, por seu Blog. Li a biografia de Jung e está muito boa. Continue produzindo. bjo

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